Certificado Energético 2026: Preço, Prazos e o Que Mudou
Certificado energético 2026: quanto custa, quando é obrigatório, novas regras europeias e como melhorar a classe antes de vender ou arrendar.
7/14/20269 min ler


Certificado Energético em 2026: Preço, Obrigações e o Que Mudou (Guia Completo)
Em 2026, o certificado energético custa entre 150€ e 400€ (dependendo da tipologia e complexidade do imóvel), é obrigatório desde o anúncio de venda ou arrendamento, e passou a ter novas exigências europeias em maio deste ano. Casas de classe E ou F podem ficar sujeitas ao "passaporte de renovação" imposto pela nova Diretiva UE 2024/1275. Multas por incumprimento: 250€ a 3.740€ para particulares, até 44.890€ para empresas. Explico tudo o que precisa saber.
Nos artigos anteriores abordei em detalhe o CPCV, as mais-valias na venda de casa e a fiscalidade pós-venda. Falta uma peça essencial da preparação de qualquer venda ou arrendamento em Portugal: o certificado energético. É o documento que muitos vendedores tratam à pressa nos últimos dias antes do anúncio — mas que, se for mal preparado, pode custar dinheiro, atrasar processos e (em 2026) até bloquear negócios.
Vou explicar-lhe o que é, quanto custa mesmo em 2026, quando é obrigatório, o que mudou com a nova diretiva europeia, e como uma boa classe pode valorizar o seu imóvel em até 10%. Este é o guia que gostaria que os meus clientes lessem antes de pedirem certificado.
O que é o certificado energético e para que serve
O certificado energético (formalmente Certificado de Desempenho Energético) é um documento oficial que classifica a eficiência energética de um imóvel numa escala de 8 classes:
▸ A+ — Muito eficiente (edifícios quase autossuficientes energeticamente)
▸ A — Eficiente
▸ B — Eficiente
▸ B- — Regular
▸ C — Regular
▸ D — Pouco eficiente
▸ E — Pouco eficiente (⚠️ novo risco em 2026)
▸ F — Muito pouco eficiente (⚠️ novo risco em 2026)
É emitido por um perito qualificado reconhecido pela ADENE (Agência para a Energia), no âmbito do Sistema de Certificação Energética dos Edifícios (SCE). A base legal atual é o Decreto-Lei n.º 101-D/2020, de 7 de dezembro, que transpôs para o direito português a diretiva europeia sobre desempenho energético de edifícios.
O certificado não é uma mera formalidade. Contém informação técnica valiosa:
▸ Classe energética atual do imóvel (A+ a F)
▸ Consumo energético estimado anual, desagregado por utilização (aquecimento, arrefecimento, água quente, iluminação)
▸ Características do imóvel — isolamento, janelas, ventilação, climatização, produção de águas quentes sanitárias
▸ Medidas de melhoria recomendadas com estimativa de custo e impacto na classe
▸ Número SCE único — obrigatório em todos os anúncios de venda ou arrendamento
Quando é obrigatório em 2026 (e quando não é)
A obrigação de ter certificado energético válido aplica-se em várias situações — algumas mudaram nos últimos anos, e é importante ter a informação atualizada:
Situações em que É obrigatório
▸ Anúncio de venda — a classe energética tem de constar no anúncio (portais imobiliários, montras, placas, redes sociais)
▸ Anúncio de arrendamento — mesma regra aplica-se
▸ CPCV (Contrato-Promessa) — certificado tem de ser apresentado ao comprador ao assinar
▸ Escritura de venda — número SCE consta obrigatoriamente do documento definitivo
▸ Contrato de arrendamento — mesmo requisito
▸ Licenciamento de edifícios novos
▸ Grandes intervenções — obras cujo custo ultrapassa 25% do valor do imóvel
▸ Alojamento Local (AL) — obrigatório para candidatura à licença AL
Situações em que NÃO é obrigatório
▸ Edifícios unifamiliares com área útil igual ou inferior a 50 m²
▸ Imóveis em ruínas — comprovadas por Declaração Provisória do SCE ou declaração da câmara municipal
▸ Transmissões não onerosas — doações, legados, heranças (mas se depois vender, precisa)
▸ Locais de culto — igrejas, mesquitas, sinagogas, templos
▸ Armazéns e estacionamentos não climatizados — com presença humana inferior a 2 horas/dia
▸ Arrendamentos inferiores a 4 meses ou a quem já seja locatário
▸ Vendas ou dações a comproprietários, locatários, ou para demolição confirmada
▸ Mesmo em situações de isenção, formalize a Declaração
Muitos proprietários assumem que, por estarem isentos, não precisam de fazer nada. Erro. Mesmo nos casos de isenção, deve solicitar a Declaração de Isenção ao SCE — é este documento que comprova, perante bancos, fisco ou fiscalização, que o imóvel está corretamente enquadrado como isento. Sem este registo oficial, podem surgir problemas em vendas futuras, financiamentos ou heranças.
Quanto custa em 2026: as duas componentes reais
O preço final do certificado tem duas componentes distintas — uma fixa por lei, outra livre de mercado. Vou detalhar ambas:
Componente 1: Taxa oficial de registo ADENE
Fixada pela Portaria n.º 39/2016 de 7 de março, ainda em vigor em 2026, varia consoante a tipologia da habitação:
▸ T0 e T1: 15 € + IVA
▸ T2 e T3: 25 € + IVA
▸ T4 e T5: 40 € + IVA
▸ T6 ou superior: 65 € + IVA
Esta taxa é paga à ADENE no momento do registo do certificado no Portal SCE e é obrigatória para qualquer certificado. Não remunera o perito — é apenas o custo administrativo do registo.
Componente 2: Honorários do perito qualificado
Aqui não existe tabela pública fixa. O preço depende de vários fatores:
▸ Área do imóvel — quanto maior, maior o tempo de análise
▸ Complexidade construtiva — moradia com vários sistemas técnicos é mais complexa que apartamento simples
▸ Localização geográfica — regiões com pouca oferta de peritos tendem a ser mais caras
▸ Grau de urgência — serviço expresso (24-48h) tem sobretaxa
▸ Qualidade do serviço — peritos que fazem análise técnica cuidada custam mais que os "rápidos"
Preço total típico em 2026
▸ Apartamento T1-T2 simples (Costa de Prata, Oeste): 130 € — 200 €
▸ Apartamento T3 típico: 170 € — 250 €
▸ Moradia T3 com sistemas médios: 220 € — 320 €
▸ Moradia T4-T5 complexa (piscina, painéis solares, sistemas AVAC): 300 € — 450 €
▸ Moradia grande / edifício antigo com vários sistemas: 400 € — 600 €
Nota importante: peritos que anunciam certificados a preços muito baixos (60-80€) tipicamente cobram "por baixo" da taxa mínima ADENE e fazem análise superficial. Podem gerar certificados com classes desfasadas da realidade (favoráveis ou desfavoráveis) — o que pode causar problemas na venda quando o comprador ou banco fizer verificação técnica.
Validade: quanto tempo dura em 2026
▸ Habitação (regra geral): 10 anos
▸ Edifícios de serviços grandes (área >250m²): 8 anos
▸ Edifícios em construção (tosco): 1 ano (pode ser prolongado)
▸ Após obras significativas: pode ser necessário emitir novo certificado antes do prazo, se as obras alteraram substancialmente o desempenho energético (substituição integral de janelas, reforço de isolamento, mudança de sistemas de climatização)
Se já tem um certificado emitido há menos de 10 anos e está válido, pode reutilizá-lo para nova venda ou arrendamento — não precisa de novo certificado. Basta consultar o número SCE no portal para confirmar validade.
A grande novidade de 2026: Diretiva UE 2024/1275
Esta é a alteração mais importante em anos e ainda pouco conhecida pelos vendedores. A Diretiva UE 2024/1275 (revisão da Diretiva Desempenho Energético dos Edifícios, ou EPBD), publicada em 2024, obrigava Portugal a estabelecer novas regras até 29 de maio de 2026.
As principais alterações que estão a chegar ou já em vigor:
Passaporte de Renovação obrigatório para classes E e F
A partir de maio de 2026, imóveis classificados como classe E ou inferior podem ficar sujeitos ao chamado "passaporte de renovação" — um roteiro detalhado de melhorias necessárias para elevar a classe energética. Para estes imóveis:
▸ Poderá ser exigido apresentar o passaporte na venda ou arrendamento
▸ O acesso a hipotecas verdes (com taxas mais baixas) pode ser condicionado
▸ Subsídios do PRR (Plano de Recuperação e Resiliência) para reabilitação exigem este passaporte
▸ Pode haver prazos futuros para elevar a classe (mínimo E até 2030, mínimo D até 2033, conforme evolução da regulamentação nacional)
Normas mínimas de desempenho energético
A UE exige que os Estados-Membros estabeleçam normas mínimas de desempenho energético para o parque habitacional de pior desempenho. Espera-se que a transposição portuguesa vise primeiro imóveis de classe E e F, com obrigatoriedade progressiva de renovação. Ainda há alguma incerteza sobre as datas exatas — mas a direção é clara: imóveis com má classe vão perder valor de mercado nos próximos anos.
Consequência prática para vendedores
Se está a pensar vender um imóvel classe E ou F, tem duas opções:
▸ Vender agora, antes das restrições aumentarem — pode ser tarde daqui a 12-24 meses
▸ Investir em melhorias (isolamento, janelas, sistemas AVAC) para subir a classe e maximizar valor de venda + acesso a hipotecas verdes para comprador
A escolha depende do orçamento, prazo e condições do imóvel. Um bom consultor imobiliário faz esta análise consigo antes de decidir estratégia.
Coimas: quanto pode pagar por incumprimento
As coimas por não ter certificado energético (ou não o incluir nos anúncios) são significativas:
▸ Particulares: 250 € a 3.740 €
▸ Empresas/pessoas coletivas: 2.500 € a 44.890 €
As coimas aplicam-se em várias situações:
▸ Publicar anúncio de venda ou arrendamento sem indicar a classe energética
▸ Celebrar CPCV sem certificado válido
▸ Celebrar escritura sem certificado válido
▸ Não apresentar o certificado em fiscalização da ADENE ou ASAE
▸ Anunciar classe energética que não corresponde ao certificado real
A fiscalização é feita pela ADENE e pela ASAE — e qualquer pessoa pode apresentar queixa. Nos últimos anos, o número de fiscalizações a portais imobiliários aumentou significativamente. Não é raro anúncios sem classe energética serem retirados dos portais até regularização.
Como obter o certificado: passo-a-passo em 2026
▸ Escolher perito qualificado — consultar a Bolsa de Peritos Qualificados no site da ADENE ou pedir recomendação a consultor imobiliário de confiança
▸ Reunir documentação — Cartão de Cidadão, caderneta predial, certidão predial permanente, plantas do imóvel (se disponíveis), faturas de eletricidade/gás dos últimos 12 meses, informação sobre sistemas de aquecimento/arrefecimento/águas quentes
▸ Marcar visita técnica — o perito faz vistoria presencial ao imóvel (60-90 minutos tipicamente para apartamento, mais para moradia)
▸ Aguardar emissão — 2 a 5 dias úteis após a vistoria; alguns peritos oferecem serviço urgente 24-48h com sobretaxa
▸ Registo no Portal SCE — certificado fica disponível no portal com número único (SCE-...) que deve constar em todos os anúncios
▸ Antecipar — se vai vender ou arrendar, faça o certificado 2-3 semanas antes de publicar o primeiro anúncio, para não haver bloqueios de última hora
Como melhorar a classe energética (e valorizar o imóvel)
Imóveis com classe A ou A+ podem valorizar até 10% face a imóveis equivalentes com classes mais baixas — para uma casa de 250.000 €, isto significa 25.000 € de valorização. Se estiver a considerar melhorias, estas são as mais impactantes:
▸ Isolamento térmico (paredes, telhado, pavimento) — o investimento com maior retorno na classe. Custo típico: 5.000-15.000 € para apartamento, 10.000-30.000 € para moradia
▸ Janelas com vidro duplo e caixilharia eficiente — 3.000-10.000 € tipicamente, impacto forte na classe
▸ Sistemas de climatização eficientes (bomba de calor A+/A++) — 2.500-6.000 € por unidade
▸ Painéis solares (para AQS ou fotovoltaicos) — 4.000-8.000 € com retorno em 5-7 anos
▸ Ventilação com recuperação de calor — 3.000-8.000 €, ganhos energéticos significativos
▸ Combine com apoios do Estado
Muitas destas melhorias têm acesso a subsídios PRR e a produtos de hipoteca verde. O Fundo Ambiental (Programa "Vale Eficiência") já apoiou milhares de famílias com valores até 1.300 € por medida. Bancos como o Santander, Millennium e BPI têm produtos de "crédito casa eficiente" com taxas mais baixas para financiar reabilitações. Vale a pena analisar as opções ANTES de fazer obras — pode reduzir custo em 20-40%.
Os 5 erros mais frequentes com certificado energético
▸ Deixar para última hora — muitos vendedores só pedem certificado quando têm proposta em cima. O perito não aparece em 24h, e o processo demora 3-5 dias. Isto atrasa CPCV e escritura
▸ Escolher perito "mais barato" sem verificar — certificados mal feitos podem gerar classes desfasadas da realidade, e serem contestados pelo comprador ou pelo banco. O barato pode sair caro
▸ Não anunciar a classe energética no anúncio — coima automática de 250-3.740 €. É a infração mais comum e fiscalizada
▸ Assumir que certificado antigo já não é válido — se tem certificado emitido há menos de 10 anos, é válido para nova venda. Verificar sempre antes de encomendar novo
▸ Ignorar as recomendações de melhoria — o certificado inclui medidas concretas para melhorar a classe. Mesmo pequenas melhorias antes da venda podem subir uma classe (e valorizar significativamente o imóvel)
Conclusão: um documento simples que exige preparação
O certificado energético parece uma formalidade burocrática — mas em 2026, com as novas exigências europeias, tornou-se um elemento estratégico da venda ou arrendamento. Uma boa classe energética pode acrescentar 5-10% ao valor do imóvel, dar acesso a hipotecas verdes ao comprador (com taxas mais baixas), e proteger contra restrições futuras. Uma classe má, pelo contrário, começa a ser um passivo real.
Para vendedores, a mensagem é clara: tratar o certificado no início do processo (não no fim), escolher perito qualificado de confiança (não o mais barato), e considerar seriamente investir em pequenas melhorias que possam elevar a classe. Estas decisões, tomadas com antecedência, valem muitas vezes 10x o custo do certificado.
No meu trabalho como consultor imobiliário, o certificado energético é uma das primeiras coisas que verifico com o vendedor — para saber se está válido, se corresponde à realidade do imóvel, e se há oportunidades de melhoria antes de irmos ao mercado. Trabalho com peritos ADENE de confiança na Costa de Prata e Oeste, com orçamentos claros e prazos garantidos. Quando me contacta, começamos por avaliar bem o imóvel — e o certificado é peça dessa análise, não um formalismo à parte.




